Tempos de Violência e Insegurança

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O ano de 2017 amanheceu sob o estigma da violência. Com o recesso do Judiciário e do Legislativo, as manchetes políticas e as prisões da Lava Jato deram um tempo.

Mas as páginas dos jornais e a tela da TV foram manchadas de sangue. Um pai frustrado mata 10 pessoas, entre elas a esposa e o filho. Assassinatos de mulheres, policiais, turistas... Morte planejada com frieza e crueldade. Morte aleatória. Morte.

Nas ruas das cidades, a insegurança cresce com os roubos à mão armada. Grades, alarmes e câmeras de filmagem não inibem mais os ladrões. As casas e condomínios, que a cada dia se parecem mais com prisões, não são lugar seguro.

A guerra de facções criminosas incendiou presídios de Manaus, Boa Vista e agora Natal. Execuções cruéis, decapitações, fugas. Estimulada pela mídia, a sociedade começa a falar sobre encarceramento, pena de morte, políticas de segurança pública, educação, reeducação, reinserção social...

São tempos de violência e de insegurança. Mesmo assim, nada é novo. Trata-se apenas da ampliação, maior agravamento e visibilidade do problema, resultando nos questionamentos e propostas em discussão no âmbito na sociedade brasileira e no leque de medidas anunciadas pelas autoridades.

No Gênesis, a narrativa que segue à Queda é o assassinato premeditado de Abel por seu irmão Caim. A humanidade quase foi extinta por causa da violência e da maldade. É o que está dito em Gênesis 6.11: “a terra estava corrompida aos olhos de Deus e cheia de violência”.

O que podemos fazer, nós cristãos, em tempos de violência e insegurança? Com certeza orar e clamar a Deus por misericórdia. Também agir, difundindo uma cultura de paz e não violência. Educar nossos filhos com os valores éticos do reino de Deus. Atuar como cidadãos, debater, esclarecer, votar, com a intenção de influenciar a sociedade em que estamos inseridos.

A questão dos presídios no Brasil desafia a Igreja Evangélica a uma nova perspectiva de capelania carcerária. Admitamos que muitos dos hoje apenados tiveram formação cristã e congregaram como irmãos. O que aconteceu com eles? Onde se perderam? Por que Evangelho não criou raízes profundas no solo? Pedras e espinhos não foram removidos antes da semeadura ou durante o discipulado?

A igreja deve se posicionar quanto ao enfrentamento do consumo de drogas que, sem dúvida, entorpece a razão, solapa as emoções, contribui para a violência e financia a criminalidade. Muitos apenas são meros consumidores ou atuavam como “mulas” na busca de dinheiro rápido. Cadeia resolve? Parece que não. Os pais vão presos e os filhos crescem na rua e se tornam a próxima geração de vulneráveis e excluídos sociais.

A Igreja precisa agir. Como? Assumindo junto ao Poder Público e à Sociedade sua corresponsabilidade no processo de prevenção do crime e de redenção dos apenados; no apoio às vítimas e respectivos familiares, até onde for possível.

O combate à violência se faz quando se trabalha para minorar a exclusão social, a desigualdade econômica e a injusta distribuição de renda. A violência está aninhada no racismo, no machismo, no preconceito, sendo preciso combatê-la nas mentes que não entendem que todo ser humano traz a imagem e semelhança de Deus e é portador de igual dignidade. Quanto disso ainda está presente nos cristãos brasileiros?

O cristianismo proclama arrependimento e perdão, mudança de mente e oportunidade para praticar novas obras. O Evangelho é boa nova de salvação. A cruz é intersecção para reconciliação com Deus e com os homens.

Basta de violência. Só julgamento não resolve. Só condenação não resolve. A igreja precisa ser um oásis de água fresca nesse deserto de areias tintas de sangue.

 

Pr. José Carlos da Silva
Pastor da Primeira Igreja Batista de Brasília (CBN)
e membro do Conselho Gestor da Aliança Cristã Evangélica Brasileira