Marcados Para Sofrer

Este artigo, necessariamente, não reflete o pensamento da CBN.

INTRODUÇÃO

Voltar a Jeremias é compreender o povo, a mensagem e os problemas do grande servo de Deus. Ele tem muito a nos dizer sobre a experiência com a própria geração. Diferente de outros profetas, profeta jeremiasJeremias adverte da condenação pendente sobre Israel. O juízo é iminente, especialmente após a morte de Josias. Um homem com uma mensagem vital durante os últimos quarenta anos da existência nacional de Judá como reinado. O ministério do referido servo se concentrou nos problemas correntes, em um esforço, para fazer aquela geração voltar a Deus.

Jeremias é fruto de sua época. Jeremias. É contemporâneo do mais novo rei de Israel. Josias chegou ao trono com oito anos de idade, quando Amom foi morto (640a.C.). Mais tarde, ficou evidente que o rei, então com dezesseis anos, já se preocupava em obedecer a Deus. Aos 20 anos, Josias tomou medidas positivas para purgar aquela nação da idolatria. Santuários e altares de deuses estranhos foram destruídos em Jerusalém e em outras cidades desde Simeão, ao sul da capital, até Naftali, ao norte. Durante os primeiros anos, Jeremias deve ter ouvido frequentes discussões em seu lar a respeito da devoção religiosa do novo rei.

Pessoas como Josias e Jeremias são poucas, e com certeza, estão marcados para sofrer.

O chamado de Jeremias se dá em um momento de aparente calma. O homem de Deus foi convocado ao ministério profético exatamente durante o período dessa reforma. Comparada à vocação dos demais profetas -- a majestosa visão de Isaias ou a elaborada revelação de Ezequiel-- o chamado de Jeremias é único por ser de simplicidade ímpar. Contudo, Jeremias se viu definitivamente escolhido pelo Eterno para ser um profeta. Duas simples visões confirmam o então chamado ministerial.

Na primeira visão, da vara de amendoeira, há um jogo de palavras: a amendoeira (shaqed) e vigiando (shoqed), ambas têm o mesmo som fonético. A intenção é deixar bem claro que Deus estaria atento, velando, vigiando para que se cumprisse sua palavra profética. Na segunda, a panela a ferver indica a natureza da mensagem, que encontraria muita oposição. Deus estaria derramando, como água fervente, a palavra de forma dura, trazendo calamidade, desespero, problemas.

Deus encoraja Jeremias no exercício da missão. O profeta também recebeu a divina certeza de que Deus o fortificaria e o capacitaria para suportar os ataques, além dos livramentos em tempos de dificuldades (Jeremias 1.17-19).

A súbita morte de Josias foi crucial tanto para Judá quanto para Jeremias (2 Cr 35.25). Enquanto o profeta lamentava a perda do piedoso rei, a nação era lançada em um redemoinho de conflitos internacionais. Joacaz não reinou senão três meses antes que Neco, do Egito, o tomasse prisioneiro e colocasse Jeoiaquim sobre o trono de Davi em Jerusalém.

A súbita mudança dos acontecimentos fez com que Jeremias ficasse sem o apoio político piedoso do povo, inclusive, foi deixado à mercê das malandragens dos chefes apóstatas que gozavam do favor de Jeoiaquim.

Com certeza, os anos 609-586 foram os mais difíceis, sem paralelo em todo o Antigo Testamento. No viés político, todos os tipos de conflitos internacionais iriam acontecer no período em que levaria Jerusalém à ruínas. No seguimento religioso, as velhas práticas anteriores a Josias retornaram ao governo de Joacaz. Após o funeral de Josias, estabeleceram abertamente os ídolos cananeus, egípcios e assírios.
No entanto, Jeremias sem temor, e com persistência, advertia o povo do desastre iminente. O profeta estava sujeito à perseguição dos próprios concidadãos, pois ministrava a uma nação apóstata, com um governo ímpio.

ELUCIDAÇÃO

Hoje a igreja enfrenta um dos momentos mais difíceis da história. A aparente calmaria e o bom êxito ante a mídia, a sociedade e o campo político nos deram uma sensação de que o “reino” pode finalmente galgar bons passos diante dos olhos dos ditos “ímpios”.

Somos notoriamente conhecidos como protestantes que repugna os ídolos, mas introduzimos na prática o culto ao homem, ao ego.

Essa ludibriação alcançou todas as áreas da igreja: música, liturgia, pastoral, devocional, comunhão, etc. Vemos com preocupação por onde as igrejas caminham. Não conseguimos ver como positivo o reducionismo que os modismos da atualidade trouxeram para a igreja.
Observamos como nos assemelhamos aos tempos de Jeremias. Corrupção no meio dos líderes; pastores fraudulentos; falsos profetas; cristãos inescrupulosos e ególatras. A mensagem de Deus ficou em segundo plano, desrespeitada, desvalorizada, condicionada a uma experiência de “ré té té”.

Ninguém tinha o bom senso de reconhecer que as próprias atitudes cheiravam mal perante Deus. O que valia era o que dava certo. Pessoas como Josias e Jeremias são poucas, e com certeza, estão marcadas para sofrer. Pessoas que não se venderiam ao que a maioria quer. Gente de caráter santo e irrepreensível que ama a Deus na beleza da sua santidade; que não trocaria a Deus por paixões infames; que não se prostituiria com outros deuses; que não se arriscaria a perder tudo por paixões passageiras.

  1. A apostasia dos dias atuais se torna evidente nas atitudes, ou melhor dizendo, na postura muitas vezes omissa da igreja. Negociamos a fé dada, pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo, por coisas sem nenhuma edificação com a moda que mais atrai, que esta dando certo; com as metas e princípios mundanos. Relativizamos a fé e a reduzimos a uma religião de autoajuda. Somos o fruto do nosso tempo. Vivemos em uma sociedade hedonista, que gosta dos prazeres. Logo, tudo o que proporciona situação confortável é buscado e afirmado acima de qualquer parâmetro, fundamento ou princípio de Fé. Muitos bebem nas águas do Nilo e do Eufrates! “O meu povo cometeu dois crimes: Eles me abandonaram, a mim, a própria Fonte de Água Viva; e tentaram cavar as suas próprias cisternas, poços rachados que não conseguem reter a água”. Jr 2.13.
  2. Ao pontuarmos a busca desenfreada por prazer, somos conduzidos a considerar as palavras de Jeremias quando compara o povo à criaturas selvagens no cio (Jr 2.23-25). O desejo é tão grande que qualquer parceiro pode tê-las sem se afadigar! Israel estava apaixonado pelos deuses. A igreja esta apaixonada pelos ídolos do ego, os ególatras. A igreja se entrega fácil a paixões volúveis e se derrete toda diante de um “Grande Nome da Mídia”. Pior, vende-se para quem tem mais poder; para quem pode lhe oferecer maior status. Quem será capaz de refrear tanta paixão? À medida que o cio vem – essa vontade excessiva de reconhecimento, de poder, e posição – os apaixonados vão e se entregam sem oposição alguma, e sem reservas. ”Não permitas que teus pés sejam esfolados nem que a tua garganta fique seca. Mas tu alegas: ‘Não tem jeito! Eu estou apaixonada pelos deuses estrangeiros e continuarei correndo atrás deles!” (Jr 2.25). Mesmo que Deus nos diga para cuidarmos e vigiarmos, a igreja insensata e vendida comete as concupiscências. “Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo.
  3. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1Jo 2.16,17).
    A vergonha é certa! Por muito ou por pouco tempo se revelará quem são de fato esses “deuses”. Clama a Deus de lábios, mas não se reconhece de Deus. Profetas como Oséias e Jeremias ressaltam: Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor. Quem o conhece verdadeiramente não tem determinadas atitudes. Somos notoriamente conhecidos como protestantes que repugna os ídolos, mas introduzimos na prática o culto ao homem, ao ego. Pela falta de conhecimento de Deus, o homem recorre aos ídolos. Assim só tende a contender com o Senhor. Pela falta de intimidade com Deus, o homem acha que o Pai o abandonou. Os que assim agem também se julgam livres; senhores de si; capazes de escolhas corretas. O v.34 chama-nos a atenção e destaca: pobre e inocente – e não pobre inocente, ou seja, além de pobre é também inocente em acreditar nesses ídolos (ególatras). Ainda se diz inocente? Deus entrara em juízo com você, pois Ele condena todos os planos dos ególatras. Deus destruirá os castelos de areia dos “senhores do poder” e lançará por terra todos os intentos daquele em quem sua Igreja tem confiado.

CONCLUSÃO

Chegamos neste momento com a seguinte pergunta: Em quem confiamos? Em quem estamos dispostos a ir até as ultimas consequências? Em nome de quem entregaremos nossas vidas, nossa família, nossas posses, nosso coração? Aos ídolos ou a Deus? A escolha que você fizer vai implicar no tipo de vida que terá. Arrependamos caso tenhamos trocado a Fonte de Águas Vivas por cisternas! Pois fomos chamados nestes dias para fazermos a diferença assim como foi Jeremias, estejamos então prontos para sermos MARCADOS PARA SOFRER!

A Deus toda a Gloria.

prjofre

 

 Em Cristo,

Pr. Jofre Macnelli
Igreja Batista Nacional de Vila Maria/SP
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